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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Profissão: Sonhador

Texto: Por Aline Porfírio
Fotos: Divulgação


Você já teve medo de revelar ao mundo que sonha ser surfista, atriz, músico, dançarino? Pois é, muitos jovens com sonhos que parecem impossíveis, ou um tanto dispensáveis aos olhos de muitos, se tornam grandes nomes do cenário mundial. Alguns possuem o apoio dos pais, outros se agarram no otimismo e nas oportunidades do mercado diferenciado


Aos 18 anos, Michael Jackson se tornava um dos artistas mais bem pagos da indústria musical americana. Tão jovem, já arrancava gritos das fãs histéricas e elogios dos produtores e críticos musicais da década de 70, quando liderava o grupo formado pelos irmãos The Jacksons Five e se preparava para a carreira solo. Foi aos 17 anos que a modelo Kate Moss mudou o parâmetro de beleza para as capas de revistas, se tornando referência no mundo das passarelas. Com a mesma idade, Daniel Radcliffe, protagonista de Harry Potter, se tornou o adolescente mais rico da Inlgaterra. Histórias de pessoas que um dia foram comuns, imaginaram-se em determinadas posições sociais e traçaram uma perspectiva de sucesso que foi incentivada por muitos e criticada por milhares. Mas todas, enquanto jovens, um dia sonharam para realizar.

Felipe D’Angelo também tem 17 anos, e assim como um dia aconteceu com os que já conquistaram a fama, ele também sonha com ela. Ao ouvir os solos de guitarra de bandas como Iron Maiden, Edguy, Angra e outros ícones do rock n’ roll, Felipe se impolgou e começou a tocar o instrumento com apenas 11 anos. O que era hobbie logo virou paixão e projeto de profissão. Porém, com alguns excessos.

Não demorou muito para ele montar uma banda, a Steel Dragon, inspirada no filme Rockstar. “Eu levo a música muito a sério. Por isso ter banda é complicado, pecisa ter comprometimento”, diz. O sonho de se tornar um grande músico estava só começando. Ao todo, foram mais de dez formações musicais, algumas mais sucedidas, outras nem tanto.

Há dois anos, quando estava no primeiro ano do Ensino Médio, ele resolveu tomar uma decisão séria e um tanto questionável, interrompeu os estudos para se dedicar ao que gosta. Felipe já havia repetido de ano duas vezes, por fazer da guitarra seu único caderno. Neste ano ele decidiu fazer supletivo para concluir os estudos e poder cursar faculdade de música.“Meus pais me apoiaram, eu realmente gosto do que faço, preciso disso”.

“Claro que não vamos dar total razão para um adolescente que larga a escola. Mas eu sei que se num for assim, ele não vai ser feliz, e ser feliz é o que importa”, revela Silvana Gonçalves de Lima D’ Angelo, mãe de Felipe. Ela explica que compreende o sonho do filho e o apoia, para que mais tarde ele reconheça o empenho dos pais. Segundo a dona de casa, ele começou a tocar por iniciativa própria, pois rock não era prioridade na cada dos D’Angelo, o que reinava ali era mesmo sertanejo. “Eu sempre gostei de sertanejo, e de repente o Felipe começou a tovar guitarra. Por isso sei que é o que ele gosta, não é influência. Portanto, ele vai se dedicar cada vez mais, e vai fazer o que sempre sonhou”, diz.



Para ser realmente bom no que faz, ele procurou um dos ídolos. Atualmente faz aulas de guitarra com o Rafael Bitencourt, músico do Angra, uma das maiores bandas de heavvy metal brasileiro. A dedicação pela guitarra lhe rendeu trabalhos profissionais. Felipe dá aulas particulares de música e há cinco meses mantém uma banda cover de Crashdiet, grupo suéco representante do hard rock sleeze, típico dos anos 1980, cabelos descoloridos, encharcados de laquê, roupas apertadas e desfiadas, bandanas, e etc. A banda de Felipe é a Scarlet pain, formada por cinco integrantes que vão de 17 a 19 anos, todos com o sonho de que a música seja a única ocupação de suas vidas.

Recentemente, Felipe teve uma parte do sonho realizado. Na página oficial do Crashdiet na internet, o vídeo onde a banda dele toca um tributo ao grupo estava em destaque. “Quando vi a Scralet pain no site eu quase chorei. Meus ídolos postando o vídeo da minha banda na página deles é algo incrível e emocionante para mim, que me dedico tanto a isso”, relata sorridente.

Expectativa em cena – O palco é o seu melhor amigo e ao mesmo tempo o maior desafio. Evelyn Nataly Ribeiro Forgachi tem 19 e sonha em ser atriz. Ela mora em São Vicente e faz aulas de teatro em uma oficina cultural de Praia Grande. Inicou o curso aos 13 anos, e de lá pra cá, entre idas e vindas, não conseguiu mais abandonar os palcos. “Meu maior sonho é ser atriz de cinema ou televisão, sonho com isso desde pequenininha”, diz.

Evelyn largou recentemente o emprego de atendente em uma grande loja de shopping, pois não tinha muito tempo para as aulas culturais. Além do teatro, ela faz também cursos de dança. Agora está à procura de um serviço do qual possa trabalhar de segunda à sexta-feira, podendo assim se dedicar ao que realmente gosta. “Eu não posso contar muito com o apoio da família, até porque todos sabem que é muito difícil chegar até onde eu quero. Mas não penso em desistir, vou chegar lá, mesmo que eu já esteja velhinha”, diz a jovem emocionada.

Evelyn sonha em ser famosa, ter seu trabalho e gosto reconhecido. Situação parecida com a aspirante de modelo, Ana Carolina do Nascimento Wawzienkiewicz, também com 19 anos. Ela iniciou na passarela com 15, e com pouco tempo de carreira já acumula em seu currículo importantes experiências profissionais. Ana Carolina já participou de vários concursos de beleza pela Baixada Santista, comerciais e até participação em programas de auditório e na novela Malhação.



Evelyn (acima) e Ana Carolina (abaixo) sonham ser famosas



A jovem explica que viver da aparência não é tarefa tão fácil e nem tão recompensadora. “Às vezes se torna dificil, pois você tem que aprender a lidar com o tipo de ser humano meio que egoista. A concorrência é muito grande, mas podemos destacar pessoas boas e que conseguem seu lugar lá em cima com dignidade, sem precisar afetar ninguém”, explica. No ano passado, Ana Carolina foi eleita a Miss Peruíbe, o que para ela recompensou todo seu empenho e trabalho. Ela continua na luta, faz comerciais, fotos, desfila. Tudo em busca do seu lugar ao sol.

Traçando o sucesso -
Em vários casos, a família não apoia a iniciativa do jovem, por achar que esta ilusão logo desapareça ou comprometa a busca por um futuro tradicionalmente profissional. Porém, muitas dessas histórias acabam dando certo. “Basta um pouco de insistência e personalidade”, é o que diz Cadu Pelegrini, vocalista da banda Kiara Rocks. O músico teve o sonho de montar uma banda ainda menino, com 13 anos. Hoje com 30, ele começa a colher os frutos de seu trabalho.

“Prefiro ganhar bem menos e fazer o que gosto. Acredito que não podemos fazer várias coisas bem feitas ao mesmo tempo, então melhor se dedicar em uma só: a que gostamos”, explica. Cadu já teve por volta de nove bandas. A atual, Kiara, tem três anos. A banda não tem produtor ou empresário, é ele quem faz todo o trabalho de divulgação, site, criação de propagandas, agendamento de shows e etc.

Com o corpo cheio de tatuagens, cabelos compridos e um visual que se torna um tanto irreverente para alguns, ele sempre trabalhou com música. Sua única profissão fora dos palcos também esteve ligado ao rock n’ roll, ele foi assistente de tatuador por dois anos. O vocalista se declara autêntico no que faz, hoje ele diz perceber que não faria outra coisa se não cantar e tocar guitarra. “Faço o que gosto. Com o tempo ganhei amadurecimento e experiência. Não gosto de criar expectativa, mas estou num momento legal da carreira”, diz entusiasmado.

Após participar do programa Astros e do reallity show Solitários, ambos no SBT, a banda teve uma alavancada na carreira, ganhando espaço e admiradores por todo Brasil. Atualmente, o grupo tem shows marcados em São Paulo, Belo Horizonte, Manaus, Brasília, Recife e várias outras capitais brasileiras.


Profissões inusitadas -
Atento às iniciativas dos jovens atuais, o mercado de trabalho já se prepara oferecendo ferramentas para que os interessados desenvolvam suas habilidades preferidas. Em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, a Unisinos oferece faculdade de Produtor Musical especializado em bandas de Rock n’ Roll. O curso tem duração de dois anos e meio (1.660 horas-aula). No período, o aluno aprende disciplinas como História do Rock, Marketing, Direitos Autorais, Criação Musical, demontração e etc.

Já a Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, oferece graduação em Designer e Planejamento de Games. Com duração de quatro anos, o curso tem o objetivo de formar profissionais capazes de criar jogos em várias categorias, como estratégia, imersão, online e Role Playing Game (RPG).

E sonho não tem mesmo limite. Quem gosta de levar a vida sob as ondas pode fazer disso sua profissão. A Univali, em São José, Santa Catarina, oferece o curso Gestão de Negócios do Surf. As aulas tem duração de dois anos e meio, e constituem em disciplinas como história do surf, empreendedorismo, roteiro esportivo e muitas outras matérias que mesclam noções práticas e turismo com administração. Mais do que nunca, o mercado vem dando opções para a expansão das mais diversas áreas e escolhas. Tudo se torna só mais um exemplo de que gosto pode sim virar profissão.

Quando a tecnologia atrapalha

Por LG Rodrigues

Estudos indicam que a dependência das novas tecnologias por parte dos jovens cresce, assim como as novidades direcionadas para o setor

Por acaso você usa algum aparelho eletrônico com muita frequência? Provavelmente sim, afinal o século XXI representou uma explosão tecnológica de proporções gigantescas para a história da humanidade. Utilizar tais aparelhos apenas para otimizar seu cotidiano é algo aceitável e muito normal nos dias de hoje. Entretanto, quando a utilização deles foge do controle e o conforto é tomado pela obsessão, o cenário muda indicando que talvez seja a hora para começar a maneirar, não apenas com o uso excessivo dos aparelhos high-tech, mas também com a dependência de internet e afins.

Às seis horas da manhã o celular da estudante paulistana de 17 anos, Karine Penha, dispara seu alarme e rapidamente ela desperta. É o celular da jovem que a alerta todos os dias sobre o começo de uma nova manhã, e ainda é o mesmo aparelho que lhe servirá de MP3 player durante o caminho de alguns poucos quilômetros que ela faz até o cursinho preparatório para vestibular mais próximo de sua casa.

Andar sem o seu “amado” celular é algo fora de questão. “É como se não pudesse viver sem ele, o dia não irá correr como de costume”, comenta Karine. O aparelho telefônico é simplesmente o melhor amigo da jovem enquanto ela passa seu dia. Ela ainda revela que já utilizou o aparelho até mesmo para dar uma “mãozinha” durante as provas, passando cola para seus colegas de classe.

Não fosse suficiente um aparelho celular, Karine possui dois. Ela diz que o primeiro já possuía há algum tempo, foi quando ganhou um segundo celular e passou a utilizar ambos os aparelhos. Quando indagada o porquê disso ela diz que não sabe precisar exatamente a necessidade de ter mais que um. “Sabe que eu não sei? Eu tinha um, aí ganhei outro e continuo usando os dois, eu era dependente de um e este era suficiente agora preciso dos dois. A não ser que eu ganhe um outro com dois chips”.

Tirando o celular que a auxilia desde que acorda até quando ela dorme, a jovem também diz que seu computador é grande aliado tanto na hora de relaxar quanto na hora de trabalhar. “Boa parte dos meus trabalhos pro cursinho faço no meu PC”. Quando perguntada sobre as horas livres ela diz que passa um bom tempo navegando, embora nem tanto quanto no passado. “Uso muito o MSN e Orkut para conversar com meus amigos, até mesmo agora para te dar a entrevista, mas já não passo tanto tempo online quanto costumava, agora que estou me preparando para o vestibular do ano que vem”.

Porém quando perguntada sobre qual item tecnológico que possui do qual ela é mais dependente a resposta vem sem nenhum tipo de hesitação. “Minha chapinha. Não conseguiria sobreviver sem ela de jeito algum, é minha companheira que eu nunca passo um dia sequer sem usar”, finaliza a estudante.

Essa dependência por eletrônico ainda não possui um nome oficial, porém pode ser chamada de Síndrome de Contato Permanente. Mas por que isso se dá? Por que alguns jovens chegam a roubar dinheiro apenas com o intuito de freqüentar lan-houses? A resposta seria a junção de muitas informações com o crescente interesse pelas novas tecnologias, o que acaba causando uma euforia no cérebro das pessoas e as deixa em estado alerta o que causa uma sensação agradável para a mente humana.

De acordo com a psicóloga Sandra Martins de Lima, as pessoas que desenvolvem a síndrome já apresentam alguma doença antes, como fobias, depressão ou baixa autoestima. “Até mesmo uma família desestruturada pode ser a causa de dependência tecnológica em um jovem dos dias de hoje”.

A tecnologia, portanto, acaba se tornando uma espécie de refúgio para os problemas pessoais dos jovens, os quais sem dúvidas tentam fugir do mundo real ou construir uma realidade própria, uma vez que o uso dos eletrônicos deixa o cérebro mais relaxado e sem conseguir distinguir a vida real da imaginária.

Por isso é necessário que se mantenha um controle sobre o uso dos aparelhos tecnológicos e que se imponha um limite que defina até onde o uso de tal aparelhagem é por mero conforto e diversão ou quando passa a se tratar de uma necessidade desenfreada. Isso sem contar que a utilização excessiva de alguns aparelhos como o computador pode acarretar em outros problemas como de visão e até mesmo de postura. “Impor limites ainda é a melhor maneira de prevenir que os aparelhos tecnológicos venham a interferir na vida dos jovens, e esse limite cabe aos pais definir”.

Quando o jovem já atingiu uma idade mais madura, porém aí esse limite deve ser colocado pelo próprio usuário. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Lucas Patrício, o qual trabalha com relações públicas e adora qualquer tipo de “bugiganga” eletrônica. Por e-mail, ele respondeu. “Apesar de a tecnologia fazer parte do meu dia-a-dia e eu ser aficionado por ela, não me considero nem um pouco viciado. Tenho costume de sempre me manter atualizado sobre o assunto, gosto de ter aparelhos bacanas, mas isso está longe de ser um vício.”

Assim como a jovem Karine, Lucas diz que a internet também é uma ótima maneira de interagir socialmente com outras pessoas, mas como tudo na vida é necessário manter um equilíbrio. “Eu saio todos os finais de semana com minha namorada, amigos, jogo bola, como qualquer outra pessoa.”

Quanto a gastos, ele revela que de vez em quando passou da conta, porém não é algo que acontece frequentemente e que assim como nas saídas de casa ele também sabe controlar e equilibrar. “Tem gente que gasta o salário inteiro no super-mercado, outros no cabeleireiro... É uma escolha individual.”

No fim das contas, o que fica é o seguinte recado: não deixe de usar as novas tecnologias, pelo contrário, mantenha-se sempre atualizado sobre novos assuntos, aparelhos e etc. Mas como tudo na vida, é necessário que o próprio usuário mantenha certo controle sob aquilo que ele faz. Verificar se anda abusando além da conta na hora de se divertir de forma high-tech é um conselho dos economistas e psicólogos. Assim como Sandra aconselha: “Quem sabe dosar, sabe usar”.

Chapinha vira item de bolsa - Nos últimos anos a chapinha tem ficado cada vez mais famosa entre as jovens adolescentes, porém a história dela não é tão nova quanto a de suas usuárias. Muito pelo contrário, ela começa ainda no século XIX, quando Jessica Levinson Young usou bastões de metal para alisar os cabelos, ainda no ano de 1882. Mas a chapinha mais próxima daquelas utilizadas nos dias de hoje foi criada pela escocesa Lady Jennifer Bell Schofield, a qual aperfeiçoou o design do aparelho em 1912.

A jovem estudante de jornalismo Mariana Serra, 19 anos já está ainda mais a frente de seu tempo. A jovem está na redação de seu programa televisivo, onde trabalha como repórter, quando recebe uma chamada para gravar uma matéria, sem a menor sombra de dúvidas a jornalista tira uma minichapinha da bolsa e corre para o banheiro onde vai dar uma retocada no cabelo. É isso mesmo, a novidade que é bem mais compacta que a original, já é item indispensável na bolsa de muitas garotas preocupadas em manter o cabelo em perfeito estado não importa a ocasião.

Mariana diz que já usava chapinha anteriormente, quase sempre em casa, porém ganhou de presente de aniversário uma minichapinha e um minisecador, os quais ela passou a levar junto de si na maioria das vezes. “Quase sempre que vou trabalhar ou na casa de alguma amiga eu levo junto pro caso de precisar dar algum retoque no cabelo”. E além de ser bem menor e de fácil uso as “minichapinhas” também são mais baratas, o que está facilitando a popularização do novo acessório de bolsa.

A internet como comércio - A dona de casa Cristiane Ferreira dos Santos, 44, acessa sua página pessoal do Orkut quando recebe um pedido de entrega de um cachecol, ela responde ao recado, acerta os detalhes do preço, entrega e assim faz mais uma venda. E assim como ela muitas outras pessoas aderem a sites de relacionamento com o intuito de encontrar novos clientes e comercializar seus produtos.

Para isso, Orkut, Facebook, MySpace e diversos outros web sites tem agregado cada vez mais que os usam mais como uma ferramenta de trabalho do que como forma de se divertir. Cristiane conta que vende cachecóis desde 2007 e inicialmente vendia cachecóis pessoalmente, porém possuía fotos no Orkut onde ela aparecia vestindo os itens. Foi quando as peças começaram a se popularizar e a surgir diversos pedidos. Nessa hora ela resolveu expô-los pela internet já com a intenção de divulgar o trabalho e vender, o que acabou dando muito certo. Cristiane ainda tem ajuda da filha Manuella, a qual conta que a mãe não teve problemas para mexer com a internet. “Ela tem mais manhas do que eu na hora de usar”.

Tribos Urbanas

Eles formam nichos infinitos. São compostos por meninos e meninas de diversas idades, etnias, localidades e costumes. As tribos urbanas vêm se tornando frequentes entre os jovens do mundo, que cada vez mais transitam entre elas, conhecendo como funcionam isoladamente. Conheça agora representantes de alguns grupos distintos, que mostram o que cada gosto tem a oferecer




Grupo: Rock n’ roll
Características: São divididos em vários grupos segmentados pelo estilo de rock, como metal, hard rock, punk rock, hard core, emos, góticos, power metal, metal melódico e mais uma seqüência infinita de estilos e seguidores. Em sua maioria, gostam de músicas com solos de guitarras, roupas pretas e assessórios de metal.
Representante: Fábio Perosa de Camargo
Idade: 23 anos
Influências: Andi Deris & Helloween, Axl Rose & Guns N' Roses, Sebastian Bach, Jason Mewes, James DeBello.

Cabelos longos, bandana à Axl Rose, óculos Ray Ban. Herança de bandas que marcaram a história dos anos 70, 80 e 90 com um hard rock envolvente. Em seu quarto é possível encontrar um gigantesco acervo de cds e dvs, coleção feita desde criança, quando baixar músicas pela internet não era possível.
Pela aparência, sua sentença. Fábio acumula histórias para contar, como ser confundido com menina, experiências de cores e efeitos no cabelo que não deram muito certo e algumas roupas que tentaram ser customizadas e acabaram perdidas.
Ele gosta de ir aos shows das bandas que admira, em barzinhos de rock e etc. Quando a pergunta é por que gostar do som, a resposta é simples, objetiva e direta: “For those about to rock, we salute you”, música da banda AC/DC, que significa “Se for para falar de rock, nós saudamos você”.



Grupo: Nerd
Características: Se reúnem na Internet para participar de jogos on-line onde fazem disputas em clãs para duelar. Gostam de assistir séries e filmes mais em suas casas do que nas televisões na casa dos outros e em cinemas respectivamente.
Representante: Christian Aguiar
Idade: 21 anos
Influências: Seu padrinho, pois ele trabalha em uma plataforma da Petrobras, área na qual sonha trabalhar um dia.

Todos os dias, Christian vai para o Senai, onde faz o curso de Instrumentação. Três vezes por semana, ele dá aulas em uma escola do Quarentenário, bairro de São Vicente. Além de ter seus momentos particulares assistindo suas séries e filmes, Christian também gosta de sair com seus amigos. Dar um “rolê” em um shopping e ir a barzinhos com os amigos, também são lazeres que o jovem gosta de fazer. Seu estilo musical é baseado em rock e música clássica. “Gosto de rock porque é um estilo agitado e música clássica, porque começa de uma forma e termina de outra.”, explica Christian.


Grupo: Samba / Pagode
Características: Quem gosta de samba não precisa de muito para curtir e seguir esta paixão. Tudo começa e acaba em “rodas de samba”, na maioria das vezes acontecem no quintal de casa, antes durante e depois das festas, nos domingos, barzinhos, shows e etc. Na maioria das vezes saem em grande quantidade de pessoas, a vestimenta vai do critério de cada um. As mulheres, geralmente, optam por roupas mais confortáveis despojadas não, esquecendo do sapato de salto alto.
Representante: Talita Gonçalves
Idade: 21
Influências: Alcione, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Sensação, Beth Carvalho, Leci Brandão, Art Popular, Só Pra Contrariar, Reinaldo, Neguinho da Beija Flor e Arlindo Cruz dentre outros artistas.

Todas às sextas – feiras, o point da galera é no Bacana Bar, onde têm vários grupos de Samba. Aos sábados, vão para o Marechal Bar onde rola Samba Rock, ou no Estação Brahma, onde rola muita agitação e samba da melhor qualidade com os meninos do Quintessência. Talita ressalta ainda shows de grandes nomes do samba, como Alexandre Pires ao qual ela dedica dois álbum do seu Orkut e muitos vídeos. “O Samba é minha vida, não imagino meu dias sem Samba”, explica a jovem.
Nega afirma também que o ritmo será eternizado dentre as novas gerações de sambista como Diogo Nogueira, filho do grande sambista “João Nogueira”. E como diria a Marrom Alcione, em companhia de Cássia Eller, “Não Deixe o Samba Morrer.”



Grupo: Sertanejo
Características: Se reúnem em baladas country ou rodeios de cidades do interior. Chapéu de cowboy, calça jeans apertada e uma camisa xadrez já fazem parte do figurino. É claro, mais moderno, sem muito exagero.
Em Santos essa tribo, por não ter um local específico, se encontra em shows e eventos do gênero.
Representante: Filipe Cardoso Rodrigues.
Idade: 21 anos
Influências: Zezé de Camargo e Luciano, Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo e Luciano,César Menotti e Fabiano, Jorge & Mateus, Victor & Leo.
De quinta a domingo, Filipe, morador de São Paulo, sempre marca presença na casa de show Villa Country, segundo ele a melhor da noite paulistana e talvez do estado. O principal motivo que o fez entrar no sertanejo eram as mulheres, “só tem mulher bonita nesses lugares, mas depois que você vai e um show, vicia, não consegui largar mais essa vida”.
Também há, segundo Filipe, ídolos no sertanejo que são fenômenos como Ivete e Claudia Leite.
Ele é daqueles que adoram usar seu chapéu e não o tira por nada, sempre que pode ele o usa. “Eu me sinto pelado sem ele, sempre que o uso as pessoas me olham, não como uma pessoa estranha, mas com admiração, aposto que ele iriam querer ter um igual ao meu”
O único problema visto por Filipe é o alto custo deste segmento, os shows e rodeios são muito caros e só quem tem uma condição financeira boa consegue sustentar o “vício”. Por exemplo, um chapéu de cowboy, utensílio indispensável no figurino de quem vai a uma balada country custa por volta de R$ 40,00.



Grupo: Geração saúde
Características: Uma nova geração de jovens preocupados com a saúde física e mental. Fazer exercícios físicos regularmente, ter uma alimentação saudável e se manter afastado de vícios são as características desses jovens.
Representante: Denis Azarias
Idade: 19 anos
Influências: Jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho

“Atividade física é vida saudável”, diz Denis Azarias. Estudante do 2º ano do curso de Educação Física da Universidade Santa Cecília (Unisanta), o jovem faz a lição de casa quando o assunto é saúde. Adepto de uma alimentação saudável e de exercícios físicos regulares, Denis afirma que não consegue imaginar sua vida sem esses cuidados. O estudante trabalha no Colégio Novo Tempo, onde dá aulas de natação para crianças de 5 a 11 anos. Também é personal trainer na academia da Unisanta. Quanto à carreira profissional, depois de formado, ele pensa em algo ligado à área da saúde mesmo.


Grupo: Reggae
Características: O regueiro de verdade curte ouvir sons clássicos do gênero, como Bob Marley e Ziggy Marley. Gosta muito de letras que falam de paz e de Jah, que para os rastafáris significa Deus. Outro nome considerado sagrado para eles é Roots, que quer dizer raiz, ou tudo que é tradicional e natural.
Representante: Fernan Domingues
Idade: 21 anos
Influências: Bob Marley, Ziggy Marley, Planta e Raiz, e Mato Seco

Seu visual entrega o que para ele é um estilo de vida. Com sua boina vermelha, verde, preta e amarela, ao melhor estilo de seu ídolo Bob Marley, ele garante que nunca saiu do Reggae. Já tocou em diversas bandas do gênero e hoje é percussionista e backing vocal do Jah Luz (Deus é Luz), que possui integrantes de São Vicente, Praia Grande, Peruíbe, Itanhaém e ele de Mongaguá. A banda tem 15 anos de história se apresentando principalmente no litoral de São Paulo. Além de tocar toda semana com sua banda, Fernan Domingues curte ir sempre no Cannil Club Video Bar, que fica em Peruíbe. Ele também diz que já foi muitas vezes à Igreja Bola de Neve, que fala muito de paz.

A EMOVOLUÇÃO DO HOMEM

Arte e texto por Carina Seles



Todos sentados à mesa. Dia de glória, então. Depois de meses de tentativa, reuniram-se avôs e avós, mãe, pai, filho 1 e filho 2. Dá-lhe mesa! O almoço saborosíssimo. Contraria-se o avô:

– No meu tempo, a comida tinha mais sabor. Não tinha esses tóxxxicos (isso mesmo, ele falou tóxico, forçando o “x”).

Começa o burburinho.

A avó complementa:

– No meu tempo, meu sonho aos 16 anos era casar e ter muitos filhos.

Volta o burburinho.

O pai, doze anos mais velho que a mãe, quis dar voz à discussão:

– No meu tempo, o barato era legal. Era riponga, tuuudo paz e amor. Aos 16, fui para um retiro no interior. Até a Ângela Rô Rô estava lá. Foi bacana.

Alguém falou:

– Tava muito louco né velho? Aff, até parece... Rô Rô não sei do quê...

A mãe já curtiu outra época:

– Eu fui do Black Power! Aos 16, dançava muito! O legal era Jackson Five.

E volta o burburinho.

O filho de 30 anos se revolta:

– Quê é isso? Aos 16, o legal era gritar: “que país é esse”, “Ideologia” ... Renato Russo, Cazuza... a gente tentava consertar alguma coisa nesse país.

E volta o burburinho.

O Juninho, de 16, estava presente – de corpo presente. Só faltava a opinião dele, o filho 2. Todas as cabeças se voltaram para aquele menino de boné (que, aliás, os avós achavam um absurdo. Onde já se viu?), cabelo ensebado penteado de lado e piercing na boca. Cabisbaixo – estava muito ocupado com seu Ipod – o menino tirou o fone dos ouvidos e falou:

– O melhor dia da minha vida foi no show do Cine. E voltou com seu fone de ouvido.

O silêncio tomou conta da mesa. Os velhos “muxoxaram” com a boca, os pais penderam a cabeça de lado e o irmão saiu da mesa. O velho pensava “cinema? Que cinema?”, o pai “show no cinema?”.

Antes fosse.

A mãe percebeu logo, “se os ideais estão escasseando, o que vai ser do meu neto? Aonde eu errei?”. Aterrorizou-se à futura cabecinha que viria. O Juninho? Nem aí...

É... uma puta falta de sacanagem.*

* = Referente à frase da menina que não entrou no show da banda de pop rock brasileira “Restart”, semelhante à banda Cine, em entrevista para TV.